O 5G, dentre todas as demais gerações de redes móveis anteriores, é a que trará sem sombra de dúvidas o maior impacto, dado as possibilidades que serão criadas a partir de então, o que ajudará certamente a criar a revolução digital com pessoas e dispositivos totalmente conectados.

O 5G não é somente internet, ele está mais para um guarda-chuva de oportunidades, e que deve ajudar muito no desenvolvimento do Brasil. A internet móvel da 5ª geração promete entregar muito mais velocidade já que a largura de banda é muito maior. De início serão de 10 a 20 Gbps de velocidade e uma latência de apenas 1 milissegundos, ou seja, internet em tempo real.

Essa internet em alta velocidade vai abrir um oceano de oportunidades nos setores de serviços, agropecuária, transporte etc e aplicativos que usam internet em tempo real serão com certeza os grandes beneficiados.  

O 5G pode manter facilmente 1 milhão de pessoas conectadas por quilômetro quadrado, algo que é impensável atualmente, visto que temos problemas sérios com infraestrutura de telecomunicações no país, e todos que já se viram em áreas de sombra ou de alta densidade como em estádios devem ter passado por problemas de conexão em razão de sobrecarga.

O 5G ainda vai permitir que todos os dispositivos em casa sejam conectados como televisores, geladeiras, luzes dando vida ao IoT, ou internet das coisas. É justamente onde estão as principais apostas comerciais. 

Resumo das gerações de redes móveis:

•    1G trouxe voz nos anos 80.
•    2G trouxe voz e texto sms e voz digital.
•    3G acesso à internet.
•    4G melhorou a internet e trouxe streaming, qualidade de áudio e imagem chegou no máximo.
•    5G promete um ganho de velocidade, já que a largura de banda é muito maior. Enquanto o 3G começou com 300 Mbps de velocidade, o 5G parte de 10 a 20 Gbps. A latência do 4G iniciou em 45 milissegundos. O 5G terá tempo de resposta de 1 milissegundo, ou seja, internet em tempo real.

Oportunidades nos próximos 5 a 10 anos com o 5G:

•    Informação em tempo real
•    Os celulares não precisarão da mesma capacidade de recursos de hoje
•    Novas tecnologias de streaming
•    Mais confiabilidade, várias conexões simultâneas e redundância total de acesso à internet
•    Resolve problemas de alta densidade, como pessoas usando internet em estádio

Leilão do 5G
O ministro das Comunicações, Fábio Faria, afirmou no início desse mês que o leilão do 5G terá “importância total” na retomada da economia. Ele também manteve o prazo de realizar o leilão em julho/21, apesar de o edital ainda não ter sido aprovado pelo Tribunal de Contas da União (TCU).

A proposta de edital do leilão do 5G foi aprovada pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) em fevereiro e agora está sendo analisada pelo tribunal. O aval da Corte de Contas não é obrigatório, mas o governo costuma aguardá-lo para publicar o edital definitivo. O objetivo é evitar questionamentos jurídicos. A frequência de entrada será a faixa 3,5 GHz, mas as operadoras poderão usar a frequência atual de 700 MHz, 1800 MHz ou banda H (2,1 GHz).

Desafios para implantação do 5G no Brasil
Essa grande disrupção exige primeiro grandes investimentos. A porta de entrada para as empresas no 5G e que está no edital é a utilização de uma faixa de frequência que já está bem desenvolvida que é a 3,5Gh. Como essa frequência é mais alta do que as outras amplamente utilizadas, o sinal tem menos cobertura e alcance. Portanto, serão necessários investimentos com antenas e equipamentos para aumentar e amplificar o alcance do sinal. Logo, esse deve ser o principal investimento das empresas de telecomunicações que trabalharão com 5G.

Há ainda muitos testes de campo a serem feitos. A faixa de frequência a ser utilizada pelo 5G é utilizada atualmente pelas antenas parabólicas que levam tv aberta para 30% da população brasileira. Dos 72 milhões de domicílios, 21,5 milhões usam parabólica no país. Então, há muitos testes e investimentos pela frente.

Projeto de Lei 2640/20 e portaria 502/20
A portaria 502/2020 atualiza os procedimentos de emissão de debêntures incentivadas para o levantamento de investimentos com foco na participação das companhias de telecomunicações no leilão do 5G. Essa portaria diz que as empresas poderão apresentar projetos voltados ao 5G por exemplo, dado que as companhias não dependem do edital para começarem os trabalhos com o 5G. A própria Anatel já disponibilizou um instrumento para que as companhias pudessem implantar o 5G nas faixas menores como 700 MHz, 1.800 MHz e o chamado banda KU (2,1 GHz) que já estão em uso pelas companhias.

Mas são incluídos nessa portaria outros projetos além do 5G, que envolvem datacenters, virtualização, cabos submarinos, redes fixas e móveis, serviços por satélite e serviços correlatos. O que é ótimo, pois as redes 3G, 4G e 5G devem se coexistir por muito tempo, e por que não dizer mais de uma década.

Se olharmos para cada geração anterior, da 1G à 4G foram mais ou menos 1 década entre uma geração e outra. Um outro fator importante, é que para as pessoas, se quiserem usufruir da tecnologia 5G, terão que substituir seus aparelhos (algo diferente entre 3G e 4G). Os aparelhos atuais não suportarão a nova faixa de frequência e a alteração é física no celular.

Exemplo de problema que vivemos atualmente
As debêntures podem ser utilizadas para o investimento em redes, seja mesmo no 4G, pois ainda temos muitos pontos de sombra no Brasil, na rede cabeada que leva sinal de internet para as residências e empresas, e até mesmo no desenvolvimento de datacenters que garantem níveis de serviços cada vez maiores aos consumidores, e para as empresas que consomem serviços de nuvem como no B2B.

Do lado do investidor, a atratividade está na isenção do imposto de renda sobre o retorno obtido e é o grande diferencial desses debêntures que são títulos privados, destinado a captação de recursos. Seus investidores recebem os juros em um prazo prefixado.

O 5G é um passo muito importante no desenvolvimento do Brasil.

 Gabriel Camargo é CEO da Deep Center

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