Ao que consta, a Amazon está prestes a disponibilizar para grandes supermercados sua tecnologia que dispensa o uso de caixas, que já vem sendo utilizada nas lojas de conveniência Amazon Go desde 2018. Isso parece confirmar a estratégia da Amazon no sentido de desenvolver tecnologias para uso próprio e depois transformá-las em serviços lucrativos, oferecendo-as a terceiros.

Essa tecnologia usa uma combinação de câmeras e sensores para identificar automaticamente clientes e produtos conforme eles andam pela loja e escolhem o que comprarão - na saída, o valor da compra é automaticamente debitado do cartão de crédito do cliente que foi usado para destravar uma catraca na entrada da loja.

A demora para a disponibilização da tecnologia para terceiros deve-se às diferenças entre usá-la numa loja de 650 metros quadrados, como as maiores da Amazon Go, ou em um grande supermercado, que pode ter o triplo dessa área. Empresas rivais que trabalham com tecnologias similares dizem que precisarão de um ou talvez dois anos para as lançar, o que dá à Amazon uma grande vantagem competitiva.

Considerando-se as práticas das big techs em geral e da Amazon em particular, surge uma dúvida: como serão usados os dados dos clientes que serão coletados quando estes fizerem compras em um supermercado desse tipo? A Amazon, como é de se esperar, diz que só os usará para processar as vendas. A ver...

Outro problema é o aumento do desemprego: apenas uma grande rede varejista no Brasil tem cerca de 90 mil funcionários operadores de caixa; para essas pessoas, o cenário, em futuro próximo é muito ruim.

Não se trata de combater o desenvolvimento tecnológico, mas a sociedade precisa se estruturar para dar suporte aos que forem expelidos do mercado de trabalho.

Vivaldo José Breternitz, Doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo, é professor da Faculdade de Computação e Informática da Universidade Presbiteriana Mackenzie

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