A crise sanitária mundial causada pelo novo Coronavírus fez a população antecipar um comportamento de consumo que já estava batendo à porta. A digitalização de serviços vem sendo colocada em prática nos mais variados setores, tanto no Brasil, como no resto do mundo.

No início de 2019, o Governo Federal apresentou um projeto que visava a digitalização de 80% dos serviços públicos. Nos últimos anos, vimos operadoras de TV serem trocadas por serviços de streaming. Startups têm surgido em abundância no mercado, trazendo inovação para diversos setores. Todo esse processo vem acontecendo, com até certa agilidade. Mas desde que a pandemia fez com que todos ficassem em isolamento social, o aumento foi exponencial e a digitalização foi mandatória em praticamente todas as áreas. Afinal, como resolver problemas bancários, comprar suprimentos, se consultar com o médico, nesse período, senão à distância? E como realizar qualquer dessas tarefas à distância, sem digitalizar processos?

Uma mudança na forma como nos relacionamos e como realizamos nossas atividades, que vinha acontecendo de forma gradativa, agora precisou evoluir abruptamente. Segundo a Embratel, por exemplo, o tráfego de dados na rede móvel subiu 20% durante o isolamento social. O e-commerce teve avanço de 80% em abril. As empresas de delivery ficaram sobrecarregadas. Os laboratórios estão vivenciando um crescimento significativo de pedidos de coletas em domicílio. As instituições de ensino, adotaram o formato EAD. Os prestadores de serviço, de modo geral, tiveram que utilizar as videoconferências, quando possível. As lives tomaram conta do entretenimento, os show agora são no formato drive-in e o Governo digitalizou mais de 800 serviços, só nesse meio tempo.

É cedo para prever qualquer impacto da pandemia, mas é nítido enxergar que não vamos mais nos contentar com formatos antigos e burocráticos de consumo. Se é possível realizar um exame em casa, ou até mesmo do trabalho, porque vamos enfrentar trânsito, filas, e horas de espera? Se podemos fazer uma movimentação bancária pelo smartphone, porque ir até o banco? Ou, até, se podemos nos exercitar e consultar profissionais de saúde de casa, comprar comida sem ir ao supermercado, porque vamos querer retomar esses costumes?

Todas essas indagações mostram uma tendência, uma nova forma de consumo, que será cada vez mais à distância, simples, conveniente e rápida. Os espaços físicos talvez não tenham mais tanta importância quanto um ambiente digital acolhedor e eficiente. As empresas poderão reduzir custos com trabalho remoto, enquanto os funcionários podem trabalhar de onde quiserem e organizarem seus próprios horários. As transformações econômicas vão acontecer, levando com elas o perfil de consumo a outro patamar.

Aumenta-se a demanda tecnológica, aumenta-se a oferta. Pós-pandemia, o mundo, de fato, não será o mesmo. Mas será ainda mais digital!

Fernando Pares é sócio-fundador da ISA Home Lab

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