Cada vez mais, as empresas aderem ao trabalho totalmente home office. Com isso, gestores e colaboradores esbarram em um obstáculo que compromete a formação do espírito de equipe e o alinhamento do time: a distância física. Aliado a este fator, existe ainda um problema que impacta diretamente no engajamento das pessoas. O estado emocional dos colaboradores também sofreu mudanças com a pandemia.

Uma pesquisa da Fundação Oswaldo Cruz, realizada em 2020, revelou que a ansiedade e depressão afetam 47,3% dos trabalhadores durante a pandemia no Brasil e na Espanha. Mais da metade deles sofre de ansiedade e depressão ao mesmo tempo. Ainda de acordo com o levantamento, 42,9% dos participantes tiveram mudanças ou instabilidades nos hábitos de sono.

Outro levantamento, desta vez do International Stress Menagement Association (ISMA), destaca que nove em cada dez brasileiros no mercado de trabalho apresentaram sintomas de ansiedade. Deste contingente, 47% também tiveram sinais de depressão em algum nível.

Para Susanne Andrade, especialista em desenvolvimento humano e autora do best-seller "O poder da simplicidade do mundo ágil", as causas desse estado emocional podem ser a pressão por resultados; a falta de contato com os colegas para tomar aquele cafezinho; muitas horas em frente ao computador; o longo período dentro de casa sem sair para momentos de lazer ou atividade física; assim como o medo de alguém próximo adoecer ou morrer pela COVID-19, especialmente pela obsessão em ver noticiários que assustam.

Segundo a especialista, tudo isso impacta negativamente no engajamento da equipe, pois os profissionais viram máquinas de produzir resultados e atingir metas e esquecem, antes de tudo, que são seres humanos atrás dos crachás.

Para dar conta de todo esse cenário, os colaboradores podem ajudar, fortalecendo a sua inteligência emocional e criando uma rede de apoio mútua. "O primeiro passo para esse fortalecimento diz respeito à comunicação, pois a forma como você se comunica vai definir a maneira como você se relaciona com outras pessoas", destaca Susanne.

Para entender como a comunicação e o relacionamento podem ajudar a solucionar os problemas profissionais já mencionados, Susanne Andrade destaca 3 passos fundamentais para manter a saúde mental em dia e a equipe engajada.

1. A comunicação com você mesmo
É importante entender que a primeira forma de comunicação deve ser estabelecida de forma interna, ou seja, autoconhecimento. Susanne destaca que no momento em que um pensamento negativo surgir, este deve ser substituído por outro positivo, de otimismo. Isso vai ajudar na saúde mental e fortalecer a inteligência emocional.

Para a especialista, os resultados positivos desse exercício surgirão com treino, que ajudará a desenvolver uma mentalidade otimista em relação às situações. "Assim como temos o controle remoto nas mãos e decidimos o que queremos assistir, temos também o controle do que queremos deixar passar na tela da nossa mente", afirma Susanne.

2. A maneira como nos comunicamos com os outros
Ao seguir o primeiro passo de maneira saudável, é possível criar uma forma positiva de pensar, desenvolvendo assim um mindset de crescimento. Isso impactará no estado emocional e relacionamento entre as pessoas.

Nesse sentido, Susanne acredita que este fator contribuirá para uma escuta mais ativa e empática. "Seja transparente e pratique feedbacks para ajudar no autoconhecimento e desenvolvimento de outros profissionais", diz.

A tecnologia deve ser uma aliada neste cenário. Susanne aconselha o uso de ferramentas digitais, como o WhatsApp, para enviar mensagens de agradecimento pela ajuda recebida ou para elogiar o colega por uma atitude ou resultado gerado. "Assim você possibilitará o sentimento de reconhecimento por parte dos outros, o que fortalece a conexão entre as pessoas e o engajamento do time", complementa.

3. O relacionamento interpessoal
Por meio dos relacionamentos, é possível construir o ambiente desejado nas organizações, especialmente no formato online, quando o alinhamento e conexões devem ser fortalecidos. Quanto mais colaborativo o profissional for, mais ajuda ele receberá, pois irá inspirar essa atitude nos demais colegas. E esse deve ser o foco nesse momento desafiador que os profissionais e as empresas passam.

Susanne destaca que investir em determinadas atitudes é fundamental para consolidar o relacionamento interpessoal, tais como marcar encontros online para falar sobre o dia a dia dos colegas; pedir ajuda de outros colaboradores, seja ele par, líder ou liderado; reduzir o tempo das reuniões, ou seja, mais objetividade.

"Quando os profissionais desenvolvem essas habilidades de comunicação e relacionamento interpessoal, o engajamento da equipe ocorre de maneira espontânea, e todos ganham: profissionais e empresas", afirma. Segundo Susanne, esse é o novo mundo do trabalho e cabe a cada profissional, independente de cargo de gestão, ser líder para se comunicar, se relacionar, influenciar e inspirar.

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