O tempo está passando cada vez mais rápido’ é um dos pensamentos em comum para inúmeros brasileiros. A necessidade de fazer tudo com mais rapidez e a sensação de ‘preciso de tudo para ontem’ são comportamentos que refletem nos hábitos de consumo e impactaram o setor da logística nos últimos anos.

A pandemia também foi um novo marco e, para mim, um verdadeiro catalisador para este mercado. Com os setores de varejo e do e-commerce alavancados, o aumento de pedidos e a urgência dos consumidores de receberem seus produtos em casa desafiaram as empresas do setor a criarem novas soluções, aliadas à tecnologia, para melhorarem os serviços e a experiência do cliente.

Neste momento, muitos podem ter pensado que a logística brasileira iria sucumbir diante dos novos desafios e da alta repentina nas demandas. Entretanto, diferente do que estávamos vendo no cenário econômico, quando houve uma reação em cadeia, o mercado logístico permaneceu aquecido mesmo sentindo o abre e fecha do comércio. Nos primeiros nove meses do ano passado, o setor atraiu US$187,6 milhões em aportes. Um outro ponto importante é a expansão e criação de novas logtechs, startups que democratizaram a tecnologia para resolver problemas logísticos. Segundo o estudo Distrito Logtech Report 2020, há mais de 280 empresas desse tipo no cenário brasileiro e mais da metade delas contabilizam menos de cinco anos de existência.

De uma hora para outra, as pessoas tiveram que, necessariamente, focar nos aplicativos, e-commerce e marketplaces. O comércio eletrônico explodiu, atraindo novos usuários e os estabelecimentos recorreram aos canais digitais. Isso, somado ao fluxo de cargas e o processo de entregas, fez com que o setor tivesse que se garantir para atender a alta demanda, reduzir tempo de entrega, melhorar a experiência de entregadores e clientes, ajustar preço e aperfeiçoar produtos e ferramentas. Essa demanda foi um gatilho para que as logtechs ganhassem mercado, propondo soluções

Ou seja, mesmo com a pressão do mercado, a mudança do comportamento do consumidor e a desconfiança econômica, o setor atendeu a demanda com sucesso, o que ocasionou esse ‘boom’ positivo para todos nós da área logística.

O segmento passou então a sustentar a geração de postos de trabalho, principalmente nos centros urbanos onde existe um fluxo maior de operações de entregas e uma maior complexidade. Com o ganho de mais espaço no mercado, acredito que este e o próximo ano serão marcados como a consolidação das logtechs. Estamos preparados para os desafios de distribuição e entregas dos nossos clientes, nos ajustando às necessidades com soluções tanto para o B2B quanto para o B2C, tendo a tecnologia como principal aliada.

Caio Reina é CEO e fundador da RoutEasyd

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