Já há algum tempo que o mercado em diversos países, incluindo o Brasil, vive uma nova era: a que oferece ao consumidor uma experiência imersiva. Estabelecimentos como restaurantes e shoppings, além de diferentes marcas e suas lojas, estão aderindo a esse conceito que, por exemplo, traz comidas interativas, locais “instagramáveis” e temáticas alternativas para atrair antigos e novos clientes.

Para Clayton Cunha, professor dos cursos de Marketing e Gestão Comercial da Universidade Cidade de S. Paulo (Unicid), as experiências imersivas vieram para ficar. “O isolamento social nestes últimos dois anos fez com que as pessoas descobrissem os serviços de delivery e mesmo com a pandemia da Covid-19 de certa maneira controlada, muitos ainda optam por ficar em suas residências. Com isso, as experiências imersivas, que antes da pandemia já eram tendência no mundo todo, agora são fundamentais para fazer os clientes saírem de casa com algo que vai além do trivial, bem como proporciona com que o consumidor faça suas melhores experiências, o que pode definir o consumo futuro”, explica.

O cenário de experiência ao consumidor vem gerando algumas especulações do mercado e empresas, se de fato é uma tendência ou é somente um marketing estratégico momentâneo. Clayton, no entanto, diz que a fase de tendência já passou. “Hoje trata-se de uma das mais importantes estratégias de marketing. Desde que a Disney inaugurou esse conceito na década de 1950, as companhias descobriram que envolver o público em uma experiência faz com que o relacionamento e, como consequência, a fidelidade do cliente sejam maiores. Desde então, o conceito é utilizado por restaurantes, shopping centers, determinadas marcas de vestuário e equipes e ligas esportivas”.

Outro ponto fundamental para as experiências imersivas estarem se destacando como os principais atrativos ao consumidor na atualidade é devido o mercado estar cada vez mais competitivo. “Essa competitividade faz com que aquilo que é comum e esperado seja cada vez mais ignorado pelos clientes, ainda mais com o advento maior das empresas que atuam on-line. Em São Paulo, por exemplo, existem alguns estabelecimentos no meio do grande centro urbano que têm como principal atrativo fazer com seus clientes se sintam na Idade Média, outros que fazem os clientes se sentirem na Savana Africana, bem como não podemos deixar de destacar as barbearias com serviços mais exclusivos e os pubs com cervejas artesanais, entre outros tipos”, ressalta o professor.

Esses novos atrativos ao consumidor têm o intuito de fazer com que os estabelecimentos sejam diferentes, com conceitos e experiências únicas e atinjam aquele público-alvo esperado, além de gerarem a diferenciação necessária para competir no mercado.

Cunha acredita que as empresas e marcas que não forem se inovando e propondo experiências diferentes ao consumidor terão cada vez mais dificuldades no mercado. “A inovação é o grande combustível para competitividade no século XXI, principalmente agora que temos tecnologias e empresas cada vez mais disruptivas. Vale lembrar que já existem supermercados autônomos espalhados pelo mundo, empresas que fazem suas compras on-line, modelos preditivos que fazem análises de consumo através de algoritmos de inteligência artificial, entre outras metodologias que serão cada vez mais utilizadas pelas companhias, independente do seu porte. E quem não se adequar a esse novo mundo, provavelmente perecerá”.

Como dica para acompanhar as novas mudanças e necessidades de mercado, o professor aponta que as empresas devem ficar atentas a tudo que pode fazer o consumidor a considerar única no mercado. Sendo assim, promover pesquisas de mercado constantes para conhecimento ou mensuração da satisfação dos clientes é de suma importância para a devida apuração de tendências e possíveis inovações, assim como para a própria sobrevivência da empresa.

O professor de Marketing e Gestão Comercial da Unicid reforça que a informação é o motor da inovação. “Quanto mais conhecimento as empresas terem sobre os clientes (atuais e possíveis), maior será a chance de competir no mercado. Sem o devido conhecimento a respeito dos consumidores, as companhias acabam por ‘chutar’ suas estratégias. Também é comum que muitos empresários baseiem suas táticas de marketing somente em sua experiência. Ter experiência é longe de ser ruim, porém, faz-se muito necessário que empresas e empresários (as) abram a cabeça para o novo e aceitem informações que os tirem de seu status quo”, finaliza.

Pode te interessar

5 apostas para o futuro da Experiência do Cliente

Total Experience aumenta vantagem competitiva das empresas

A experiência do cliente no centro das decisões estratégicas