A geração Z, de nascidos a partir de 1997, está conquistando o mercado de trabalho. São jovens que já nasceram conectados, muitas vezes com um computador ou celular em mãos. Por conta disso, muitas empresas se questionam: como conquistar público tão difuso e com tanto acesso à informação?

Pensando nisso, a Cognizant, uma das empresas líderes mundiais em tecnologia e negócios, preparou estudo com as principais tendências de comportamento da geração Z.

Apesar de ser mais conectada do que seus pais e avós, a geração Z é a menos otimista a respeito do impacto da internet na sociedade: um em cada três acredita em influência mais negativa. "Essa opinião é ainda mais predominante entre adolescentes de 15 a 18 anos", afirma João Lúcio de Azevedo Filho, presidente da Cognizant no Brasil. "Isso é porque esses jovens já presenciaram e, muitas vezes, até foram vítimas de cyberbullying ou de fake news na web."

Até por essa tendência de ficarem muito tempo conectados, a geração Z se preocupa em manter seus dispositivos e softwares trabalhando bem, de modo que 40% passam três ou mais horas semanais atualizando celulares, computadores e smart devices. Junto com os millennials - a geração anterior à sua - esse grupo tende a pagar por home services conectados. Apesar disso, eles também são a geração que mais depende de outras pessoas para consertar seus equipamentos digitais. Nesses casos, 23% dependem de pessoas mais velhas, e 15% pagam por esse serviço.

Para esse estudo, 2.069 pessoas responderam a um questionário de 30 perguntas personalizadas feitas pela Cognizant e pelo Center for Generational Kinetics. O nível de confiança do levantamento é de 95%, com margem de erro de 3,1%.

Privacidade
Uma das diferenças mais marcantes entre as gerações é como elas veem a questão da privacidade dos dados pessoais. Segundo a pesquisa, as pessoas mais velhas tendem a se preocupar mais sobre como informações coletadas on-line podem ser usadas contra elas. 45% dos millennials e 46% da geração X têm essa preocupação, ante 37% da geração Z. Aliás, 32% dos entrevistados nessa faixa etária não se preocupam com a privacidade de seus dados on-line.

Por outro lado, dois terços dos entrevistados temem que empresas tenham muito conhecimento a respeito das atividades on-line deles. Esse comportamento também se reflete na geração Z. "A boa notícia para provedores de serviço e conteúdo é que um terço da geração Z e dos millennials aceitam que empresas coletem seus dados para ter acesso a promoções personalizadas", afirma Azevedo Filho.

Outro tópico em que esses jovens têm a mesma opinião que as gerações anteriores é a questão dos anúncios on-line: 66% sentem que esse tipo de publicidade é uma interrupção. Contudo, a geração Z entende que esse é o preço a ser pago para acessar conteúdos gratuitos de qualidade. "A questão aqui é trabalhar a personalização", aconselha o executivo. "38% dos entrevistados de até 22 anos acham que anúncios personalizados são mais efetivos do que anúncios aleatórios.


Além disso, as redes sociais exercem cada vez mais influência no processo de compra dos consumidores mais jovens. Apesar de a geração Z ainda ser mais influenciada por familiares e amigos na aquisição de um produto ou serviço, 24% nesse grupo considera a opinião de influenciadores digitais como a mais importante nesse processo, e 35% acreditam que conteúdos gerados por usuários terão mais credibilidade do que conteúdos de empresas ou fontes independentes num futuro próximo.

O futuro do conteúdo
"A demanda por conteúdo continuará crescendo em todas as plataformas. O uso de smartphones aumentará em 12%. TV e computadores terão crescimento de 11% e 20% respectivamente", aponta Azevedo Filho. "Isso se dá porque a geração Z utiliza esses aparelhos para consumir diferentes conteúdos. Os celulares são o meio preferido para ver vídeos em redes sociais, a TV continua sendo a queridinha dos filmes, e os computadores são mais usados para ver vídeos no YouTube." Com isso, a tendência é que surjam pacotes personalizados de serviços de streaming on demand - e 54% da geração Z estaria interessada nesse tipo de oferta.

Em contraste com as outras gerações, a Z prefere interagir com seus aparelhos via toque. As gerações X e millennials, por sua vez, preferem usar assistentes de voz. Mas nenhum dos três é muito fã de digitar. Em termos de experiência de uso, 60% da geração Z quer utilizar realidade virtual para se entreter com shows, filmes e, principalmente, videogames. Um possível impacto dessa tendência está no roteiro de filmes e séries. Mais da metade dos jovens da geração Z quer ser capaz de determinar o conteúdo de um filme ou série a que estão assistindo.

Insights

• A geração Z quer tecnologias que funcionem: a recomendação é utilizar dados quantitativos e qualitativos para revelar expectativas óbvias e escondidas sobre situações cotidianas ou até mesmo inesperadas. Também é necessário estudar melhor as dificuldades tecnológicas e de atendimento que essa geração tem. O modelo de negócios precisa ser alterado: especialistas com contato direto com os consumidores deverão não só resolver problemas técnicos, mas também oferecer soluções robustas que ajudem a fidelizar os clientes.

• Usuários querem controlar seu conteúdo: é preciso testar modelos de conteúdo, consumo e engajamento para monetizar essas experiências, utilizando tecnologias como realidade aumentada ou realidade virtual e dando a opção para usuários criarem suas próprias histórias.

• Foco na personalização: podem ser testadas novas técnicas de posicionamento de anúncios além da contextual, que é baseada no perfil do usuário e no conteúdo que ele acessa. Para isso, é necessário que empresas descubram como utilizar ferramentas de personalização mais avançadas para encontrar a relação entre os dados coletados. E mais: é recomendado trabalhar o posicionamento das marcas nas redes sociais.

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